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O  Dia Nacional da Cultura Científica, 24 de novembro, foi instituído em 1997 para comemorar o nascimento de Rómulo de Carvalho (António Gedeão é o seu pseudónimo) e divulgar o seu trabalho na promoção da cultura científica e no ensino da ciência.

Fernando Pessoa, por Álvaro de Campos, escreveu em 1935 um poema sobre a relação entre a Matemática e a arte:

“O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.

O que há é pouca gente para dar por isso.

Oooo – ooooooooo – ooooooooooooooo

(O vento lá fora).”

A história da ciência e da arte é uma história de amor, encontros, desencontros e cumplicidades, de mãos dadas, muitas vezes, e também de mãos … na massa, apesar de tantas, tantas vezes nos quererem fazer crer o contrário.

A ligação entre ciência e arte pode ser encontrada desde sempre, temos como exemplo paradigmático Leonardo da Vinci, homem do Renascimento, que associava o seu trabalho de dissecação de corpos – às escondidas, primeiramente- ao trabalho de desenho dos nervos, tendões e músculos, muitos séculos antes das exposições polémicas que mostraram  – e mostram, atualmente, no Museu Menschen em BERLIM –  cadáveres humanos plastinados.

Escultor, arquiteto, cientista, músico e  pintor foram muitas as valências de Leonardo da Vinci. Este homem tocava todas as áreas do saber, fundia-as, aprofundava-as e relacionava-as-, num sincretismo próprio dos grandes espíritos curiosos e, ainda por cima, autodidatas.

 da Vinci nasceu  em 15 de abril de 1452 e morreu a 2 de maio de 1519. Apaixonado por anatomia, dissecou diversos animais (pássaros e cavalos, ovelhas, macacos, sapos, entre outros ) e, posteriormente, tendo obtido licença para tal realizou a atividade no Hospital Santa Maria Nuova, em Florença, no Hospital Maggiore, em Milão, e, finalmente, no Hospital do Santo Espírito, em Roma. Entre 1490 e 1515 dissecou mais de 30 corpos de homens e mulheres, tendo desenhado para cima de 200 gravuras de caráter anatómico.

Cinco séculos depois, em 2015, vamos falar de  biopinturas  (utilização de biofilmes como instrumento

artístico), divulgando um texto de Patrícia Noronha publicado no Instituto da Tecnologia Química e Biológica António Xavier 

biopintura 7

e que refere que estas biopinturas ” são obtidas através do crescimento, sobre papel de aguarela embebido em meio de cultura, de estirpes de leveduras previamente selecionadas. Neste caso podemos dizer que pintar torna-se sinónimo de inocular e o resultado final vai depender do crescimento das leveduras que é condicionado por diversos factores (meio de cultura, temperatura, tempo de crescimento, relações entre diferentes estirpes).

Patrícia Noronha, no seu interessantíssimo trabalho, vai-nos dizer que nos nossos dias são inúmeras as possibilidades para os artistas ( quiçá cientistas…) que queiram explorar outras técnicas e materiais,no campo da genética, da robótica, da computação.

Por fim, (e porque o post vai longo), nas inumeráveis relações entre ciência e arte há ” jóias” naturais como esta que aqui vos deixo sobre a qual só me apetece dizer, parafraseando Campos:

” Um ouriço do mar é tão belo como a Vénus de Milo

O que há é pouca gente para dar por isso.[…]

 

Retirado daqui

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Há uma semana foi assim…

Dia 12 de outubro, muita chuva, muito vento, muitas razões para ficar em casa…mas não aconteceu assim na ESMA. A professora Maria José Barroso veio de Lisboa a Almeirim para uma palestra destinada, sobretudo, a alunos do 12º ano de português que estão a estudar Fernando Pessoa e a mergulhar no universo pessoano onde ” ismos” e vanguardas se cruzam num paroxismo de “vozes”, “olhares”  e ” Eus”.Esta palestra, integrada nas comemorações do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, destinava-se a explorar os maravilhosos e promissores anos iniciais do séc.XX, nos quais se multiplicaram experiências artísticas múltiplas e únicas que desafiaram as convenções, provocaram o público, criaram surpresa, espanto e repúdio. Com uma abordagem simples, acessível e clara, a palestrante guiou-nos pelo mundo das vanguardas e do modernismo, revelou-nos linhas, composições, traços e autores e onde não “víamos”,  passámos  a ver, a dissecar  e a entender.A dado momento, a palestra tornou-se numa palestra comentada, enriquecida pelas contribuições dos professores presentes.Os alunos salientaram a clareza da apresentação, a seleção das imagens, o visionamento dos breves vídeos confrontando a arte clássica com a arte contemporânea, nomeadamente a leveza do bailado ” O lago dos cisnes”, de Tchaikovsky, com a força e o dinamismo da ” Sagração de Primavera “, de Stravinsky.

Dando agora voz aos alunos, o Frederico referiu que o que mais gostou da palestra  foi “a parte em que ouvimos o  Manifesto Anti-Dantas porque foi uma parte divertida e ao mesmo tempo denunciava o gosto da sociedade daquele tempo[…]Gostei tanto do manifesto que até fui ver o resto em casa.”

Outra aluna, a Rita, referiu que a professora” era muito simpática, apesar de envergonhada, e notava-se que gostava do que estava a falar.“Já a Ana gostou da  palestra” por não ter sido muito pesada e não ter causado aborrecimento ou sono“.A Lúcia destacou ter gostado ” da forma como a professora Maria José Barroso explicou as vanguardas, demonstrou interesse no assunto e captou a  atenção dos presentes.Gostei muito do expressionismo e do fauvismo.”Também a Maria referiu que “a apresentação em powerpoint estava bem conseguida, com pinturas de vanguarda bem selecionadas e com o foco em pormenores e personalidades importantes, a nível teórico e informativo a apresentação estava muito boa.Os vídeos apresentados também faziam uma excelente comparação entre dois estilos completamente opostos e a mensagem foi positivamente transmitida.”E o João Pedro, do 12º A, disse que  gostou de tudo, de tudo…

Bom, ouvidos os principais destinatários, resta-me dizer: a BECRE da ESMA, os professores das turmas e as turmas agradecem muito a tua vinda, Maria José Barroso!Até à próxima!

Concordam?

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ORPHEU

Orpheu, de Franz Stuck (Pintor Alemão) 1863–1928

Orpheu, de Franz Stuck (Pintor Alemão) 1863–1928

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Cartaz MIBE 2015!

MIBE_2015

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